segunda-feira, 26 de outubro de 2009

DEFECAÇÃO VERBAL DO SR. PRESIDENTE DO BRASIL!

Opinião: Lula, Jesus e Judas

Por Julio César - Psicólogo e mestrando em Ciências da Religião

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, publicada na última quinta-feira, dia 22 de outubro, ao ser indagado sobre a afirmação de Ciro Gomes, seu aliado, de que ele e o FHC foram tolerantes com o patrimonialismo (apropriação privada e partidária dos ativos públicos) em nome da governabilidade, respondeu que se Jesus Cristo viesse governar e Judas tivesse sido eleito por um partido qualquer, ele teria que chamá-lo para fazer coalizão. (cf:http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u641276.shtml)

Ora, diante de mais uma defecação verbal do presidente é preciso informá-lo que Jesus disse a Pilatos: “O meu Reino não é deste mundo” (João 18.36a). E disse isto quando estava preso, na iminência de ser crucificado, e para quem tinha o poder de livrá-lo da crucificação, o governador romano da Palestina. Era a ocasião para uma barganha, para chamar os sacerdotes e os fariseus, os seus acusadores, e Judas, o entregador de sua cabeça, para a mesa de negociação, e propor um acordo político, em nome da preservação da vida e da estabilidade social, seria até “compreensível”.

Pilatos certamente esperava uma saída conciliatória, um recuo da parte de Jesus, por isso ficou perplexo com o silêncio de Jesus: “Você se nega a falar comigo? (...) Não sabe que tenho autoridade para libertá-lo e crucificá-lo?” (João 19.10) Ele não tinha entendido ainda que o Reino de Jesus não é deste mundo; pois, se fosse, como já havia dito Jesus há pouco, “(...) os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui”. (João 18.36b) Ou ele teria agido no mesmo espírito de Lula, teria feito uma série de conchavos, ops, uma coalisão entre os seus discípulos, os fariseus, os saduceus, os zelotes e o Império Romano, manteria a alta popularidade do início do seu ministério, e não teria como destino a cruz.

No Reino de Jesus o padrão é a verdade, no reino deste fundo é a mentira, no Reino de Jesus o bem é feito por altruísmo, no reino deste mundo por egoísmo, no Reino de Jesus a justiça opera baseada no amor, no reino deste mundo ela opera baseada na conveniência e movida pelo desejo de vingança, no Reino de Jesus o maior é o que serve, no reino deste mundo o maior é o mais esperto. Enfim, é um antagonismo inconciliável.

Antes de Pilatos, os irmãos Tiago e João, apóstolos de Jesus, já haviam confundido os dois reinos, quando mandaram sua mãe, Salomé, tentar fazer lobby com Jesus para eles ocuparem os lugares principais quando o Reino de Deus for estabelecido. (Mateus 20.20-28) Também confundiram quando perguntaram a Jesus se ele queria que eles mandassem descer fogo do céu para consumir a oposição samaritana. (Lucas 9.51-56) Pedro também confundiu ao cortar com a espada a orelha de um dos soldados que veio prender Jesus. (João 18.1-11)

Depois de Pilatos, o Cristianismo, seja em suas versões, católica, ortodoxa e protestante, há séculos vem confundindo os reinos, ao mandar hereges, pagãos e cientistas para a fogueira, ao abençoar guerras e linchamentos, e ao fazer alianças espúrias com o poder temporal para montar impérios e construir torres de marfim.

Se aqueles que caminharam histórica e fisicamente com Jesus, que dizem serem seus embaixadores “confundiram as bolas”, imaginem Lula.

A dúvida que fica em relação à “metáfora” do Lula, é quem é ou quais são os “Judas” de Lula? Se é que de fato há algum “Judas” porque Lula não foi preso nem crucificado, até porque não tem vocação nem quer ser mártir de nada, e, por isso, até onde se sabe nenhum mensaleiro ou aloprado devolveu o dinheiro e se enforcou. Não há dúvida alguma, Lula está infinitamente mais para o cawboy fora-da-lei do Raul Seixas do que para discípulo de Jesus.

Um comentário:

  1. Acredito que o Judas a que Lula se refira seja ele mesmo, pois assim como o da Bíblia, o atual primeiro mandatário do País traiu que o elegeu.

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